sábado, 30 de janeiro de 2010

Injustiças da crise

Ontem de manhã, seguia para o trabalho, quando fui sobressaltado com uma notícia. O nosso ministro das finanças, Teixeira dos Santos, vinculava aos jornalistas que Portugal não precisava de mais estradas e que muito dificilmente alguma estrada seria construída nesta legislatura. Nesse mesmo dia, á noite, o mesmo anúncio na televisão.


Apesar de compreender que em tempos de crise devemos cortar naquilo que é ou possamos considerar supérfluo, dando primazia à saúde, à educação, ao restabelecimento da economia e acima de tudo ao combate do desemprego. Existem projectos rodoviários, no âmbito da nossa região, que são potenciadores de investimento, de postos de trabalho e acima de tudo…uma questão de justiça para com outras zonas do nosso país mais bem apetrechadas de redes viárias. Estou-me a referir ao IC31 e ao IC6, o primeiro liga Espanha á região da Beira Baixa e ao resto da nossa rede viária através da A23 e o segundo liga a Cova da Beira a Coimbra pela Serra da Estrela, reduzindo o tempo de viagem em aproximadamente, uma hora e meia.

Entendo que nestas coisas dos cortes da despesa, não se possa cortar a direito…é necessário verificar caso a caso, ponderar cada projecto, as mais-valias que possa produzir contrapondo com o investimento a realizar. Caso contrário corremos o risco de essas decisões, tomadas a direito, poderem levar a injustiças e provocar danos irreparáveis a regiões que já se encontram numa situação extremamente difícil.

O Inicio!

Depois de algum sufoco profissional nestas ultimas semanas, com o arranque do novo ano. Começo finalmente a ter tempo. Especialmente para fazer a minha estreia neste Blog que tenho o prazer de partilhar com um Amigo e camarada.


Devo confessar que apesar de acompanhar com regularidade alguns blogues da nossa praça e de ter já feito algumas tentativas, a génese e a ideia por detrás do “24 de Abril – Antecâmara de uma revolução” me seduziu logo a primeira.

Neste momento entendo que existe uma obrigação quase moral de opinarmos e contribuirmos para uma discussão alargada dos temas da actualidade com pontos de vista diferentes, não melhores ou piores, apenas diferentes. Existe claramente a necessidade de denunciarmos aquilo que no nosso dia-a-dia nos incomoda, que está mal explicado, com o qual não concordamos enaltecendo no entanto os bons exemplos. A nossa geração (pós-25 de Abril) necessita de tomar as rédeas do seu destino, precisamos de mudar mentalidades e formas de ver a sociedade, é necessário caminharmos paulatinamente para uma sociedade mais justa, mais interventiva, mais correcta acabando com os compadrios, o nacional porreirismo e com a corrupção endémica que prolifera no nosso País…como se vislumbra todos os dias nos jornais e noticiários televisivos.

Irei (com a maior regularidade possível) tentar suscitar a discussão em torno de temas da actualidade, locais, nacionais e internacionais assim como partilhar visões e opiniões sobre os mais diversos assuntos, esperando humildemente contribuir para uma revolução, não uma revolução armada…longe disso, mas sim uma revolução de mentalidades.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Afinal há gente bem paga

O início desta semana foi marcada por uma notícia escandalosa: nove funcionários da TAP terão que fazer um curso sobre ética e relações laborais porque discutiram publicamente assuntos do foro interno da empresa. Logo os sindicatos vieram defender os funcionários, atente-se bem: defender os funcionários. Porque não defendem a empresa (Pública), nem tampouco os clientes da TAP. Defendem os funcionários! Mas também é essa a função dos sindicatos dir-me-ão os prezados amigos. De facto é verdade. Mas é uma verdade redutora, como tantas outras. Se não vejamos: os sindicatos têm o dever de defender os trabalhadores, os proletários (numa linguagem mais... sindical) mas têm também que perceber que a defesa das obrigações dos trabalhadores é também importante. O trabalho tem regras e os trabalhadores devem saber cumpri-las, tal como a entidade patronal e cada um de nós nas mais diversas situações. Por outro lado a verdade é a verdade.

Pensar em fazer uma greve porque a TAP decidiu fazer uma formação sobre matérias importantes para a função que cada um dos colaboradores (uma linguagem mais capitalista e falsa) desempenha. E a reserva de assuntos profissionais que podem prejudicar a imagem do empregador, que não colida com os interesses dos outros, nomeadamente com o público é certamente umas dessas matérias. Segundo o sindicato isto é uma penalização ilegal por não ter havido processo disciplinar. A TAP receosa dos sindicatos, veio logo alargar a formação a todos os funcionários de vôo para tirar essas dúvidas. Para mim, penalização era o despedimento, a eventual indemnização da empresa, ou outra penalização de facto. Fazer uma formação é uma forma de evitar tal penalização, a meu ver.

O mais bizarro de tudo isto deve-se a uma informação divulgada pelo sindicato, e com a habitual precisão que todos lhes reconhecemos: a de que a dita formação aos nove proletários tinha um custo de 50.000 Eur, dos quais 35.000 era o custo imputado a ter os nove trabalhadores parados uma semana. Esta preocupação tão legítima e genuína do sindicato, revelando-se preocupado com os custos da empresa revelou, fazendo fé na "habitual precisão dos sindicatos", que nove trabalhadores de bordo da TAP custam numa semana 35.000 Eur à empresa. Fazendo umas pequenas contas rápidas diríamos que os nove proletários custam mais de 140.000 Eur por mês. Supondo que está incluída a TSU o vencimento seria de 110.000 Eur para nove proletários. Isto é o salário médio de cada um deles seria de 12.000 Eur. Apraz-me fazer dois comentários: percebo a razão do prejuízo da TAP, viva o proletariado! Por outro lado, podemos apenas assumir que os sindicatos em geral mentem!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Deriva ou jeito?

Assisti hoje a uma afirmação deveras improvável. O Deputado Jorge Machado do PCP insurge-se contra o CDS-PP por este levar ao debate o tema do desemprego. Porque segundo ele o CDS está a negociar com o PS o próximo orçamento. A linha ideológica do PCP terá tido uma súbita deriva direitista ou serei eu apenas que terei interpretado das palavras do Sr. Deputado que o que separa o PCP do CDS é apenas a proximidade ao PS? Talvez seja mais simples: o CDS faz até um favor ao PCP ao BE e a si próprio, pois num cenário de queda do Governo, inevitável caso o OE não seja aprovado certamente que estes partidos não manterão os alargados grupos parlamentares que possuem... Assim se compreende esta proximidade: é um sinal de gratidão!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Assim começo

Neste meu primeiro post irei, como se impõe, expor as motivações que me levaram a fazer este blogue Ele surge de um repto que me foi lançado por um camarada meu, mas também de uma necessidade de partilha, com os meus amigos das coisas que julgo importante serem discutidas. É relevante também que o faça conjuntamente com um camarada que me dá o privilégio da sua amizade.

A vida, ou o que chamamos de vida, leva-nos a uma azáfama constante que nos impossibilita, muitas das vezes, estarmos presencialmente com os que nos são próximos e até importantes. Raramente discutimos a actualidade ou as opções que se nos deparam no dia a dia ou mesmo até que se nos deparam colectivamente. Pretendo assim que neste blogue, possa partilhar, discutir, especular sobre estas questões, políticas e cívicas que se nos impõem por consciência. Mas não pode ser apenas isto, irei também partilhar convosco algumas outras questões, como sejam a literatura, alguma música (de que sou um profundo desconhecedor), e algumas reflexões mais ou menos pessoais, tentando não cair numa desnecessária exposição pública.

Tenho a convicção de pertencer a uma geração que em tempos foi contestatária, que lutou por reformas na educação, mas que com o tempo e a aculturação, foi caindo numa certa hipocrisia. Vivemos para nós próprios, aferindo-nos em termos de sucesso que pouco nos devem orgulhar. Estamos acomodados! Temos por contraponto a geração dos nossos pais que tiveram o privilégio de poder viver, participar e lutar por um desígnio nacional e geracional que foi o da liberdade. Essa geração, em grande parte, está desiludida, mas já não tem a força ou a vontade de lutar por um mundo novo, por uma nova sociedade. Quanto a nós, que tivemos, quando muito, fugazes lutas estudantis, vivemos numa apatia inaceitável. Digo inaceitável porque sendo uma geração instruída na beleza da luta por um mundo melhor, estando melhor preparados para lutar por via da geral melhor formação que temos, nos deixamos andar. Aceitamos como natural fenómenos endémicos de corrupção de uma classe política, achamos que a honra, a honestidade deixaram de ser elementos de valor e que definem uma pessoa, valorizamos este símbolo nacional do desenrascanço, muitas das vezes à custa do bem estar dos outros, da generalidade dos outros. Não estranho por isso uma certa desilusão da geração dos nosso pais. Digo desilusão, mas por vezes parece quase saudosismo, mas penso que se trata de um saudosismo de si próprios, de quem foram e da força que teriam agora para lutar por aquilo que nós nos recusamos a fazer.

Mas, como sempre, haverá uma saída. Penso que a seu tempo os valores da honra, da honestidade, da liberdade, da ética voltarão a prevalecer. A moda, e os media deixarão de vender imagem e passarão a vender verdade, penso que nós estaremos preparados. No entanto, cada um de nós pode e deve dar o seu contributo: não nos devemos deixar levar pelos media, mas devemos antes de mais procurar por nós próprios esclarecermo-nos para que possamos formar uma opinião informada. Mais livros e menos jornais!

Concluo agora deixando uma sugestão de leitura que caricaturiza muito bem este estado de apatia da nossa sociedade:
Título: 1984
Autor: George Orwell