O início desta semana foi marcada por uma notícia escandalosa: nove funcionários da TAP terão que fazer um curso sobre ética e relações laborais porque discutiram publicamente assuntos do foro interno da empresa. Logo os sindicatos vieram defender os funcionários, atente-se bem: defender os funcionários. Porque não defendem a empresa (Pública), nem tampouco os clientes da TAP. Defendem os funcionários! Mas também é essa a função dos sindicatos dir-me-ão os prezados amigos. De facto é verdade. Mas é uma verdade redutora, como tantas outras. Se não vejamos: os sindicatos têm o dever de defender os trabalhadores, os proletários (numa linguagem mais... sindical) mas têm também que perceber que a defesa das obrigações dos trabalhadores é também importante. O trabalho tem regras e os trabalhadores devem saber cumpri-las, tal como a entidade patronal e cada um de nós nas mais diversas situações. Por outro lado a verdade é a verdade.
Pensar em fazer uma greve porque a TAP decidiu fazer uma formação sobre matérias importantes para a função que cada um dos colaboradores (uma linguagem mais capitalista e falsa) desempenha. E a reserva de assuntos profissionais que podem prejudicar a imagem do empregador, que não colida com os interesses dos outros, nomeadamente com o público é certamente umas dessas matérias. Segundo o sindicato isto é uma penalização ilegal por não ter havido processo disciplinar. A TAP receosa dos sindicatos, veio logo alargar a formação a todos os funcionários de vôo para tirar essas dúvidas. Para mim, penalização era o despedimento, a eventual indemnização da empresa, ou outra penalização de facto. Fazer uma formação é uma forma de evitar tal penalização, a meu ver.
O mais bizarro de tudo isto deve-se a uma informação divulgada pelo sindicato, e com a habitual precisão que todos lhes reconhecemos: a de que a dita formação aos nove proletários tinha um custo de 50.000 Eur, dos quais 35.000 era o custo imputado a ter os nove trabalhadores parados uma semana. Esta preocupação tão legítima e genuína do sindicato, revelando-se preocupado com os custos da empresa revelou, fazendo fé na "habitual precisão dos sindicatos", que nove trabalhadores de bordo da TAP custam numa semana 35.000 Eur à empresa. Fazendo umas pequenas contas rápidas diríamos que os nove proletários custam mais de 140.000 Eur por mês. Supondo que está incluída a TSU o vencimento seria de 110.000 Eur para nove proletários. Isto é o salário médio de cada um deles seria de 12.000 Eur. Apraz-me fazer dois comentários: percebo a razão do prejuízo da TAP, viva o proletariado! Por outro lado, podemos apenas assumir que os sindicatos em geral mentem!
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