quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Jornalismo, ética e o Sindicato

A semana que passou o Correio da Covilhã (CC), impresso com o Jornal do Fundão, trazia notícias que dão conta da normal acção das forças vivas da nossa cidade. A normal acção das colectividades, e dos seus actos eleitorais vinha reportada nas páginas do dito jornal como se pode verificar nas imagens que apresento. Umas notícias com direito a fotografias dos visados, outras nem por isso, umas maiores outras mais pequenas, certamente em função da importância das associações e do estrito interesse... jornalístico. Os meus caros conterrâneos verão, pelo destaque que foi dado a cada uma das associações, que no entender do CC e de quem o dirige que por exemplo o Grupo Humanitário de Dadores de Sangue da Covilhã terá, no entender dos editores do CC menos importância que a Banda da Covilhã ou que o Oriental de São Martinho. Certamente para os que infelizmente se acham na necessidade de receber sangue de outrem a história já será diferente! Importância é importância e o CC dá-a a quem quer. Bem, mas necessidades à parte, vemos também que o eleito Presidente da Banda será uma figura mais destacada e importante que o Presidente do Oriental de São Martinho, já não falando da Presidente do já por si menor Grupo Humanitário de Dadores de Sangue da Covilhã.



Analisando isto agora de uma forma um pouco mais exaustiva, veremos que o Presidente da Banda da Covilhã é pessoa mais próxima do poder na cidade, não tivesse sido ele candidato à perdida Junta de Freguesia da Conceição. Talvez por isso seja mais importante para o Correio da Covilhã – é uma figura da política da cidade. Mas analisando desta mesma perspectiva, política, parece-me que o facto, não referenciado na notícia em anexo, de a lista que perdeu as eleições no Grupo Humanitário de Dadores de Sangue por 70 votos contra 43, incluir entre os seus candidatos o vereador Paulo Rosa e o Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria, seria certamente digno de grande registo. O Vereador que tem o pelouro do associativismo perde umas eleições para uma associação da cidade e ao CC não lhe parece digno de registo? Podemos disto concluir uma de duas coisas:

  • o CC não tinha essa informação e portanto os seus editores não a podiam publicar. Seria incompetência do CC? Tendo em vista a forte presença de jornalistas no acto eleitoral esta hipótese era manifestação de uma grande incompetência. Recordo a este propósito o artigo do articulista Romão Vieira a respeito dos candidatos a Presidente de Câmara em que se queixa de não ter podido contactar os responsáveis do PS. Pergunto-me se neste caso não deveria (O CC claro está) ter sido igualmente diligente, isto é, deveria ter contactado o Presidente da Câmara e pedir-lhe um comentário à derrota de um seu Vereador nas eleições para uma associação importante da Covilhã? Certamente que Carlos Pinto estará a pensar qual a razão para se andarem a meter nisto? Um dia falaremos disso, e da leitura óbvia que se faz.

  • Segunda hipótese o CC tinha essa informação e não a quis veicular. Bem isto é um pouco mais grave que a hipótese anterior. Isto demonstraria que o CC, seja a que nível organizacional for, é de facto um actor na cena política com interesses que defende, e não apenas um espectador da mesma. Recordando a notícia a respeito de Mário Crespo que ouviu dizer alguém que ouviu dizer num restaurante.... pergunto eu onde anda o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas? Como dizia o Henrique aos três anos: 'Num ta cá'!

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