Estou deveras estupefacto com os últimos acontecimentos políticos nacionais… O impasse político em torno da lei das finanças regionais mostra o quão jovem e imatura é a nossa democracia e como necessitamos de tempo e de experiência para aprendermos todos a governar em minoria.
O PSD por imposição do Sr. da Madeira, fincou o pé a dizer que quer umas “migalhas” a mais (segundo o seu líder parlamentar) para aquela região autónoma, o CDS-PP faz o papel da “ONU” (segundo o seu líder) medeia o conflito ora piscando o olho para o lado ora para o outro sem ter a coragem de se assumir, o BE e o PCP ávidos a criticar a existência do offshore daquela região, o défice democrático que aí se vive diariamente e o despesismo do Sr. da Madeira, são os primeiros a concordar com este reforço orçamental e aumento da capacidade de endividamento por entenderem tratar-se de uma questão de “justiça”… Como se fosse possível justificar a atitude de: “Para que lado é que vai o Governo…então nós estamos contra!”
Meus senhores, tenham juizinho e não brinquem connosco! É justiça um cidadão do continente pagar mais 6% de IVA do que um cidadão da Madeira, é justiça estarmos a por em causa a estabilidade de um Governo por causa de um reforço à segunda região mais rica do nosso País, é justiça continuarmos a financiar um governante que em dez anos colocou a Madeira com uma divida de 1.200 milhões de euros, 600 milhões só nos últimos 3 anos, é justiça aumentarmos verbas e limites de endividamento quando em todos os sectores da Sociedade cortamos a direito, estradas, salários, etc… Na minha opinião Não!
Entendo que Governar para além de cumprir o programa pelo qual se foi eleito é também saber tomar decisões difíceis tendo em conta as circunstâncias e a informação disponível, decisões essas, que por vezes vão contra os interesses deste ou daquele político, classe profissional, lobby, empresa, sindicato, etc… em prol do bem comum. O Governo não está a fazer chantagem, não está a ser irredutível, apenas não abdica de um princípio…o princípio da Justiça.
Não podemos pedir contenção nas despesas, congelar salários, suspender obras há muito desejadas e depois só porque os restantes partidos da oposição tem a maioria na Assembleia e pretendem defender os interesses de uns poucos em detrimento de muitos, fazer tábua rasa daquilo que se vem dizendo.
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