Neste meu primeiro post irei, como se impõe, expor as motivações que me levaram a fazer este blogue Ele surge de um repto que me foi lançado por um camarada meu, mas também de uma necessidade de partilha, com os meus amigos das coisas que julgo importante serem discutidas. É relevante também que o faça conjuntamente com um camarada que me dá o privilégio da sua amizade.
A vida, ou o que chamamos de vida, leva-nos a uma azáfama constante que nos impossibilita, muitas das vezes, estarmos presencialmente com os que nos são próximos e até importantes. Raramente discutimos a actualidade ou as opções que se nos deparam no dia a dia ou mesmo até que se nos deparam colectivamente. Pretendo assim que neste blogue, possa partilhar, discutir, especular sobre estas questões, políticas e cívicas que se nos impõem por consciência. Mas não pode ser apenas isto, irei também partilhar convosco algumas outras questões, como sejam a literatura, alguma música (de que sou um profundo desconhecedor), e algumas reflexões mais ou menos pessoais, tentando não cair numa desnecessária exposição pública.
Tenho a convicção de pertencer a uma geração que em tempos foi contestatária, que lutou por reformas na educação, mas que com o tempo e a aculturação, foi caindo numa certa hipocrisia. Vivemos para nós próprios, aferindo-nos em termos de sucesso que pouco nos devem orgulhar. Estamos acomodados! Temos por contraponto a geração dos nossos pais que tiveram o privilégio de poder viver, participar e lutar por um desígnio nacional e geracional que foi o da liberdade. Essa geração, em grande parte, está desiludida, mas já não tem a força ou a vontade de lutar por um mundo novo, por uma nova sociedade. Quanto a nós, que tivemos, quando muito, fugazes lutas estudantis, vivemos numa apatia inaceitável. Digo inaceitável porque sendo uma geração instruída na beleza da luta por um mundo melhor, estando melhor preparados para lutar por via da geral melhor formação que temos, nos deixamos andar. Aceitamos como natural fenómenos endémicos de corrupção de uma classe política, achamos que a honra, a honestidade deixaram de ser elementos de valor e que definem uma pessoa, valorizamos este símbolo nacional do desenrascanço, muitas das vezes à custa do bem estar dos outros, da generalidade dos outros. Não estranho por isso uma certa desilusão da geração dos nosso pais. Digo desilusão, mas por vezes parece quase saudosismo, mas penso que se trata de um saudosismo de si próprios, de quem foram e da força que teriam agora para lutar por aquilo que nós nos recusamos a fazer.
Mas, como sempre, haverá uma saída. Penso que a seu tempo os valores da honra, da honestidade, da liberdade, da ética voltarão a prevalecer. A moda, e os media deixarão de vender imagem e passarão a vender verdade, penso que nós estaremos preparados. No entanto, cada um de nós pode e deve dar o seu contributo: não nos devemos deixar levar pelos media, mas devemos antes de mais procurar por nós próprios esclarecermo-nos para que possamos formar uma opinião informada. Mais livros e menos jornais!
Concluo agora deixando uma sugestão de leitura que caricaturiza muito bem este estado de apatia da nossa sociedade:
Título: 1984
Autor: George Orwell
Bem vindo! Felicidades!
ResponderEliminarLT
Camarada, é com profundo agrado que recebo este teu convite para participar nesta tua/nossa "mesa redonda". Sem dúvida que os nossos Pais fizeram já muito por Portugal, agora cabe-nos a nós fazer mais e melhor, e, melhorar o que está mal ou menos bem feito.
ResponderEliminarDiariamente deparamo-nos com vigarices de todo o tipo, muitas vezes dos sítios mais insuspeitos, tal como dizes, já não há ética ou honra. Eu fui educado a respeitar o próximo, para mim um aperto de mão é suficiente, mas infelizmente já constatei que a minha ingenuidade é gritante, por isso já tenho levado uns valentes pontapés, mas também isso nos faz crescer.
O nosso Portugal está a precisar de alguém, ou deu um grupo de pensadores e fazedores, alguém que explique numa linguagem perceptível a todos, o estado em que Portugal está. Explicar que, tal como em nossa casa não podemos ter uma Playstation e um LCD em cada quarto, também não podemos ter um Centro de Saúde ou Maternidade em cada concelho, pois não há nem dinheiro nem recursos humanos para tal.
Enfim, temos de fazer chegar a nossa opinião e a nossa voz a alguém que a faça chegar ao povo.
Um Grande Bem Haja Nuno.