quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Vale a pena pensar nisto!

Já há muito tempo que ando para escrever, tenho feito reflexões profundas sobre diversos temas, mas sinto que ainda não estou totalmente preparado para partilhar a minha opinião, esta ainda se encontra claramente num processo de construção interior que ainda fervilha com alguma intensidade...

Como tal...deixo aqui um texto de um homem que já aqui critiquei, mostrando que a critica é para com os actos, os que se fazem mas também os que ficam por fazer. O texto tem o nome de "Imaginem" e foi escrito por Mario Crespo.

http://livresco.wordpress.com/2008/08/04/mario-crespo-imaginem/

Vale a Pena pensar nisto!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Revisão Constitucional III

Por fim a questão dos despedimentos, que parece ser aquela que mais vozes de protesto tem levantado mesmo dentro do PSD.

A proposta que o PSD faz de alteração do texto constitucional retira do texto da constituição a justa causa como condição necessária para o despedimento de um trabalhador. Este facto é, e quanto a isso não tenho dúvida, e penso que qualquer pessoa intelectualmente honesta não o terá, um passo no sentido de uma maior flexibilidade nos despedimentos, visa facilitar os despedimentos.

Todos estamos conscientes que tem estado na ordem do dia esta questão, desde há algum tempo. Têm-lhe chamado Flexi-segurança. Se é verdade, por um lado, que o mundo está diferente e que as expectativas de das empresas no mercado mudam rapidamente, também é verdade que existem formas diversas de atacar as constantes mudanças no mercado. Não têm as empresas obrigatoriamente que despedir os seus funcionários para serem competitivas.

As empresas são hoje estimuladas a mudar, a inovar em diversos aspectos para atacarem o mercado. Porque não fazer o mesmo, não estimular a mudança e a motivação entre os seus funcionários? Que cada um saiba aplicar os necessários instrumentos para motivar, para fomentar a mudança entre os seus, para adaptar a sua força produtiva.

A questão dos despedimentos, especificamente a protecção feita ao trabalhador no emprego tem uma natural razão de ser. Numa economia capitalista, em que o dinheiro conta muito em muitas coisas, tem que se proteger aqueles que neste aspecto estão mais frágeis. Existe, por via da diferente capacidade económica de uns e outros, uma diferença no acesso à justiça e no que se pode fazer por essa via. Todos sabemos, que havendo uma obsessiva vontade de fazer sair um trabalhador, existem diversas formas de o fazer, seja pelo esvaziar de funções, seja pelas mudanças nos horários de trabalho, seja por criar um mau ambiente em torno dele, seja pela pressão psicológica que tantas vezes ouvimos dizer que se exerce.

Avançar no sentido de dar mais e melhores instrumentos para o despedimento a quem já hierarquicamente manda nas empresas, e tem por essa via alguns instrumentos de pressão (condenáveis na minha opinião), que economicamente tem um acesso mais facilitado à justiça e aos seus melhores actores, será indubitavelmente uma liberalização dos despedimentos. Como pessoa ideologicamente de esquerda irei sempre opor-me a qualquer proposta que vá nesse sentido.

A respeito do proponente destas três alterações de fundo tenho também algo a dizer. Sempre achei que o 'Estado de Graça' em que PPC se encontra ou encontrou após a sua eleição para líder do PSD iria durar pouco, pois no seu discurso de encerramento de congresso mostrou nas entre-linhas quais eram as suas ideias para o país. Colocou desde logo o acento tónico na revisão constitucional. Que poderia abrir a porta a isto mesmo, a estas três iniciativas na Saúde, Educação e Emprego foi o que eu sempre achei, porque foi o que ele sempre defendeu. Os portugueses não irão aceitar estas propostas e elas nunca serão levadas à prática. Reconheço a PPC coragem e coerência ao fazer esta proposta. Repudio-lhe o ultra-liberalismo!

Por fim explico porque é que digo que a antecâmara de uma revolução se usa duplamente. Por um lado, estas propostas por estarem em discussão representam, nesta fase a antecâmara de uma revolução em matéria da ideologia e do modelo de sociedade latentes na nossa Constituição. Por outro lado, a serem aprovadas estas propostas, nestas três matérias colocar-nos-íamos na antecâmara da Revolução dos Cravos, no tempo da segunda República.

O verdadeiro dom da Palavra

Pedro Barroso num poema lindíssimo. Um desconhecido para muitos, fez parte do grupo dos muito conhecidos no pós 25 de Abril.

http://www.cultarte.com/blog/?p=1378

É só carregar no play abaixo da fotografia.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Revisão Constitucional II

Voltemos ao tema. Mas hoje falaremos da proposta que é feita para a Educação. A proposta que é feita é que a educação deixe de constar como tendencialmente gratuita na Constituição.

Mais uma vez sou frontalmente contra, sendo que nesta matéria não sou exactamente seguidor das linhas que têm sido seguidas para a educação nos últimos anos em Portugal.

A educação é o factor que mais perspectiva o futuro de um Povo. É pela educação que podemos ser mais competitivos do ponto de vista económico, mas não só. É a educação que nos permite uma construção interior, o amadurecimento de apetências, de habilidades que podem levar se não à plena, pelo menos a uma boa parte da realização individual. E é isto que a sociedade deve permitir e fomentar em cada um: dentro de determinadas regras de respeito pelos outros e pelo todo social, devemos poder realizar-nos individualmente. Significando isso um maior ou menor contributo para o todo.

Sendo a educação o factor que nos permite almejar outros desígnios esta deve ser tendencialmente igual para todos e por isso tendencialmente gratuita. Os argumentos que se usaram para a saúde podem, no geral, também ser usados, com as devidas diferenças. Mas há outros. Como sabemos o acesso à educação é por si só já diferente, e difere, em muito, segundo o estrato social e a localização geográfica dos estudantes. Custa-me a crer que haja, por razões biológicas/genéticas gente mais ou menos bem sucedida em determinada zona do País, ou em determinado estrato social. Mas quando verificamos estatisticamente os resultados de exames e outras aferições realizadas no todo nacional verificamos que as diferenças são significativas. Diferem desde logo por região geográfica, mas muito pelo estrato social.

Mas há outro factor preocupante: o facto de nos diversos índices de colégios e escolas que aparecem prevalecerem no topo dos mesmo uma esmagadora maioria de instituições privadas é deveras preocupante. Preocupante por ser revelador de que o factor social começa a ser ainda mais determinante na perspectivação do futuro de cada pessoa. Um dos pilares do sistema capitalista cuja maior expressão era o 'American Dream' era a possibilidade de com esforço tudo poderia ser alcançado. Hoje talvez já não seja assim! O factor social sempre teve e terá importância no sucesso profissional, económico das pessoas, seja pela diferente educação de raiz na família, seja pelo diferente contacto com 'outros mundos' que o dinheiro permite seja porque a biblioteca lá de casa é diferente, ou hoje, porque em casa há acesso à internet. Agora o igual acesso à educação era aquilo que de alguma forma nos recolocava por igual na casa de partida. Será a machadada final no reconhecimento pelo mérito...

A culpa é, como quase sempre, do Estado ou pelo menos de algumas das suas instituições. Deixámos degradar a escola Pública com a perspectiva de que uma das suas funções era a de promover a integração social ou promover políticas sociais. À partida não me oponho, desde que este propósito não seja contrário àquela que é a efectiva função da escola: promover o desenvolvimento intelectual dos alunos! Pelo seu esforço, e só por isso, devem eles ser diferenciados. O esforço que leva a alcançar metas deve continuar a ser um factor conducente, ou pelo menos facilitador, ao sucesso profissional, social (sendo claro que existem outros sucessos porventura mais importantes).

Retirar do texto da Constituição a gratuitidade da Educação, pelo que eu analiso pode levar a situações aberrantes. Por um lado abre o flanco à possibilidade de começarem a ser as famílias a ter que pagar a educação dos jovens, o que muitos muitos casos pode impossibilitar a prossecução de estudos. Pelo outro, sendo este o aspecto mais realçado por quem faz a proposta de revisão, abre a possibilidade de as famílias cujos jovens realizam os seus estudos em colégios privados serem comparticipados nesses estudos ou deixarem de contribuir para o serviço Público de educação, como forma de descriminação positiva pelo não uso destes serviços. Que faríamos então às famílias que não têm filhos? Àqueles que não se servem dos tribunais? E aos que nunca estiveram desempregados? E... e....? A comparticipação dos colégios privados pelo sector público só é admissível se os critérios de selecção mudarem radicalmente. Não é admissível o Estado comparticipar instituições de ensino que discriminem os seus alunos, seja por que razão for que não esteja directamente relacionada com o seu efectivo funcionamento ou com os resultados obtidos. Questões como a raça, o estrato social, a ascendência, a religião, entre outros não poderiam contar.

Façamos uma reforma da escola Pública que auxilie efectivamente na realização do potencial individual de cada um, mas que tenha regras de funcionamento evitem que os actos de cada um, as capacidades de cada um, ou as metas alcançadas por cada um possam prejudicar o todo ou mesmo o outro individualmente considerado. Quem tem que reprovar deverá fazê-lo. Quem não compreende ou não se submete às normais regras de convivência em sociedade terá que o fazer ou ser penalizado por isso. Não podemos, em nome da inclusão, permitir que algumas atitudes individuais afastem outros da escola e da sua realização em termos pessoais. Os direitos não podem ser absolutos, sobretudo quando interferem com os direitos dos outros. As regras da vida dizem-nos sempre que quem não cumpre regras deve ser penalizado por isso! Tornemos a escola Pública exigente, formadora do carácter individual, um pequeno modelo de convivência em sociedade que prepare para o futuro e que sirva os desígnios colectivos. Todo e qualquer esforço conducente à inclusão é louvável e nobre, mas não devemos nunca afastar-nos do essencial. Na escola o essencial é a construção intelectual do indivíduo.

Defendo a escola Pública, para todos, que promova a igualdade baseada no mérito, e que possa em função deste permitir a realização pessoal, mas de todos.

Amanhã os despedimentos.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Lamento

Ainda a propósito da revisão da Constituição, estive a dar uma vista de olhos no Público. Ao que parece no PSD já há vozes discordantes...


Jorge Bacelar Gouveia defende hoje numa coluna do Público que as questões ideológicas não devem contaminar esta discussão em torno da revisão da Constituição. Defende o projecto que é dele também.

Espantoso mesmo é Jorge Bacelar Gouveia assinar esta coluna do Público como Professor Catedrático de Direito e Constitucionalista. Talvez o facto de ser Deputado eleito pelo PSD tenha alguma coisa que ver com a sua opinião... Pelo menos relevante para filtrar a sua opinião deve ser. Digo eu. A não ser que esta seja a opinião da Universidade Nova de Lisboa ou no mínimo da Cátedra de que é titular. Parece-me que o Sr. anda confundido não sabe se escreveu o Professor, o Constitucionalista ou o Deputado. Eu não tenho dúvidas de quem foi.

Assim vai a Ética dos Catedráticos, ou dos Constitucionalistas, ou dos Deputados. Nem sei!

Revisão Constitucional

Ao fim de muito tempo, regresso à antecâmara de uma revolução com o primeiro de uma série de três textos sobre a proposta do PSD de revisão Constitucional. E talvez o termo antecâmara de uma revolução não seja melhor usado. Duplamente! Explicarei porquê.

Reconheço que não conheço exactamente a proposta de revisão da Constituição feita pelo PSD e por Pedro Passos Coelho (PPC), mas as indicações e algumas notícias que ouvi em nada me surpreendem. Logo no dia em que, com atenção, ouvi o seu discurso de encerramento no congresso do PSD, me pareceu que PPC ao colocar extemporaneamente a revisão constituicional na ordem do dia queria exactamente propor isto: a privatização do SNS e da Educação. Ideias, aliás, que ele sempre defendeu, mesmo quando era apenas um ilustre militante do PSD, com o destaque que lhe advinha da liderança da JSD em tempos idos. Surpreendeu-me no entanto a sua proposta de retirar do texto constitucional a justa causa como imprescindível para o despedimento.

Esta proposta de revisão, juntamente com alguns dados recentes que indicam que alguns aspectos da economia estão bem melhor do que o que foi previsto, vêm dar algum fôlego ao Governo. Não querendo fazer futurologia, mas como me é próprio, apenas especular, acho que o Governo vai atravessar a crise, vai guiar o País através dos sobressaltos intrínsecos à crise mundial e cumprir a legislatura até ao fim. O PR, seja ele quem vier a ser (e sobre isto escreverei numa próxima oportunidade), não mais terá condições sociais para fazer cair o governo como teve nestes últimos meses. Bom sinal também é o relatório da PJ sobre o caso Freeport, que mais uma vez dá alguma razão aos defensores da teoria da Cabala, e muito mal volta a deixar a classe dos jornalistas cuja independência e rigor eu volto mais uma vez a questionar. A propósito disto, houve recentemente mais uma reunião do Clube de Bilderberg onde esteve, outra vez, Francisco Pinto Balsemão. Estariam a cozinhar, como se diz terem feito em 2004, a queda do Governo de Portugal? Estranho o pouco eco que isso teve por cá, mais a mais por ter tido lugar em Barcelona e amplamente noticiado por terras de Nuestros Hermanos. O tempo, os factos e nós todos trataremos de ditar qual o fim de este Governo. Veremos.

Mas recentremo-nos (nós... se o quiser fazer comigo) na questão das propostas conhecidas, ou que eu conheço, da revisão constitucional. Qual é a importância destas alterações que se propõem?

Vejamos primeiro a questão do SNS. A eliminação no texto constitucional da tendência para a gratuicidade do SNS abre as portas a vários cenários:
O primeiro e que causa menos impacto, é o de que algumas classes de pessoas passem a pagar o seu acesso à saúde. Muito tenho discutido sobre isto e em geral os meus amigos, que como sabem são, na sua maioria de esquerda, apoiariam uma medida destas. Basicamente defendem que os ricos devem pagar mais para que os outros paguem menos. Sou absolutamente contra. O acesso gratuito à saúde, ou tendencialmente gratuito, é uma questão de princípio, por isso mesmo deve estar na Constituição, não deve estar sujeito a nenhum constrangimento, nem diferenciado pelos rendimentos. Se achamos que aqueles que muito ganham devem pagar mais, que devem contribuir mais para a redistribuição do dinheiro, que paguem mais impostos. Agora a saúde é para todos e ponto final.
O segundo cenário, bem mais preocupante, é aquele que eu penso ser o que de facto PPC tem em mente com esta proposta, e trata-se da privatização da Gestão dos Hospitais. Eu, no que diz respeito à criação de Empresas Públicas tornei-me um céptico por haverem demonstrações recorrentes de que a agilização que este sistema trás, não acarreta nem melhorias nos serviços, nem tão pouco diminuição nos custos mantendo o serviço igual. No caso particular dos Hospitais o Amadora-Sintra deu a real imagem e experimentada imagem do que pode acontecer. Acho sinceramente que este modelo não trás nada de novo.
O último cenário, e o mais radical, é privatizar mesmo os Hospitais. A partir desse momento não mais prevalecerá a saúde em deterimento da componente económica. Qualquer coisa do tipo: não dá rendimento, morre!

Estamos neste particular a fazer o caminho contrário ao que está a ser feito pelo Tio Sam - a terra do verdadeiro capitalismo cujo sistema impregnado de um grande liberalismo esteve na origem da crise internacional. Lá, por não o terem, aprovaram recentemente o MedicAid, que leva os EUA a fazer um caminho de encontro àquilo que para nós é o SNS. Nós queremos acabar com ele! Chama-se a isto contraciclo. Ou cedência aos Lobbys...

Amanhã voltarei para a Educação.

domingo, 25 de abril de 2010

...um grito!

25 de Abril...sempre!
Fascismo nunca mais!

sábado, 17 de abril de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Uma questão de escolha...ou talvez não!

Quando li na RCB, as declarações da nossa Governadora Civil, fiquei surpreso...mas ao mesmo tempo confuso.
Compreendendo as razões apresentadas para o encerramento de uma das maternidades do distrito, razões essas que não são novas e estavam na génese da criação do Centro Hospitalar da Beira Interior que aglomerava os Hospitais da Guarda e de Castelo-branco mais o Centro Hospitalar da Cova da Beira, com este último, à luz dos referidos critérios, a ficar com o maior número de valências, nomeadamente a Maternidade.
Não consigo entender o que mudou! Das duas uma, será que estamos perante o cego que começou a ver, ou perante aquela personagem das historias que oferece uma maçã envenenada à (cidade)neve.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Responsabilidade é sempre do outro...

Surpreendido pela notícia sobre a dívida da Covilhã à empresa Resistrela, mais pasmado fiquei com a resposta do edil covilhanense...
Então a responsabilidade da Câmara da Covilhã não honrar os seus compromissos, é do Governo que deve 4 milhões de euros em overbooking, os mesmos 4 milhões que servem de desculpa para, a não execução das obras de reabilitação da estrada Peraboa - Ponte Pedrinha bem como para todo e qualquer assunto onde é necessário mascarar a incapacidade de fazer face às promessas assumidas devido a opções de gestão erróneas.
Tenham dó...quando é que começamos a assumir os erros em vez de apontar o dedo a outros? Se realmente essa divida de 4 milhões de euros existe...porque é que não se recorre às instâncias judiciais nacionais e europeias para que esse dinheiro nos seja ressarcido...
Mas atenção, pelas vezes que esses 4 milhões de euros serviram de desculpas não sei se chegarão para pagar todas as desculpas...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Covibus...finalmente!

Após quase um ano, de uma série de datas e apresentações anunciadas e realizadas, importa assinalar a data em que os, há muito desejados, autocarros novos da Covibus começaram a circular na Cidade da Covilhã.

Faço votos que agora que a questão dos equipamentos parece estar resolvida, a referida empresa comece a centrar a sua actividade nos utentes e na melhoria do Serviço prestado, fazendo face as suas constantes queixas.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Carnaval da Madeira

Estou deveras estupefacto com os últimos acontecimentos políticos nacionais… O impasse político em torno da lei das finanças regionais mostra o quão jovem e imatura é a nossa democracia e como necessitamos de tempo e de experiência para aprendermos todos a governar em minoria.

O PSD por imposição do Sr. da Madeira, fincou o pé a dizer que quer umas “migalhas” a mais (segundo o seu líder parlamentar) para aquela região autónoma, o CDS-PP faz o papel da “ONU” (segundo o seu líder) medeia o conflito ora piscando o olho para o lado ora para o outro sem ter a coragem de se assumir, o BE e o PCP ávidos a criticar a existência do offshore daquela região, o défice democrático que aí se vive diariamente e o despesismo do Sr. da Madeira, são os primeiros a concordar com este reforço orçamental e aumento da capacidade de endividamento por entenderem tratar-se de uma questão de “justiça”… Como se fosse possível justificar a atitude de: “Para que lado é que vai o Governo…então nós estamos contra!”

Meus senhores, tenham juizinho e não brinquem connosco! É justiça um cidadão do continente pagar mais 6% de IVA do que um cidadão da Madeira, é justiça estarmos a por em causa a estabilidade de um Governo por causa de um reforço à segunda região mais rica do nosso País, é justiça continuarmos a financiar um governante que em dez anos colocou a Madeira com uma divida de 1.200 milhões de euros, 600 milhões só nos últimos 3 anos, é justiça aumentarmos verbas e limites de endividamento quando em todos os sectores da Sociedade cortamos a direito, estradas, salários, etc… Na minha opinião Não!

Entendo que Governar para além de cumprir o programa pelo qual se foi eleito é também saber tomar decisões difíceis tendo em conta as circunstâncias e a informação disponível, decisões essas, que por vezes vão contra os interesses deste ou daquele político, classe profissional, lobby, empresa, sindicato, etc… em prol do bem comum. O Governo não está a fazer chantagem, não está a ser irredutível, apenas não abdica de um princípio…o princípio da Justiça.

Não podemos pedir contenção nas despesas, congelar salários, suspender obras há muito desejadas e depois só porque os restantes partidos da oposição tem a maioria na Assembleia e pretendem defender os interesses de uns poucos em detrimento de muitos, fazer tábua rasa daquilo que se vem dizendo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Jornalismo, ética e o Sindicato

A semana que passou o Correio da Covilhã (CC), impresso com o Jornal do Fundão, trazia notícias que dão conta da normal acção das forças vivas da nossa cidade. A normal acção das colectividades, e dos seus actos eleitorais vinha reportada nas páginas do dito jornal como se pode verificar nas imagens que apresento. Umas notícias com direito a fotografias dos visados, outras nem por isso, umas maiores outras mais pequenas, certamente em função da importância das associações e do estrito interesse... jornalístico. Os meus caros conterrâneos verão, pelo destaque que foi dado a cada uma das associações, que no entender do CC e de quem o dirige que por exemplo o Grupo Humanitário de Dadores de Sangue da Covilhã terá, no entender dos editores do CC menos importância que a Banda da Covilhã ou que o Oriental de São Martinho. Certamente para os que infelizmente se acham na necessidade de receber sangue de outrem a história já será diferente! Importância é importância e o CC dá-a a quem quer. Bem, mas necessidades à parte, vemos também que o eleito Presidente da Banda será uma figura mais destacada e importante que o Presidente do Oriental de São Martinho, já não falando da Presidente do já por si menor Grupo Humanitário de Dadores de Sangue da Covilhã.



Analisando isto agora de uma forma um pouco mais exaustiva, veremos que o Presidente da Banda da Covilhã é pessoa mais próxima do poder na cidade, não tivesse sido ele candidato à perdida Junta de Freguesia da Conceição. Talvez por isso seja mais importante para o Correio da Covilhã – é uma figura da política da cidade. Mas analisando desta mesma perspectiva, política, parece-me que o facto, não referenciado na notícia em anexo, de a lista que perdeu as eleições no Grupo Humanitário de Dadores de Sangue por 70 votos contra 43, incluir entre os seus candidatos o vereador Paulo Rosa e o Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria, seria certamente digno de grande registo. O Vereador que tem o pelouro do associativismo perde umas eleições para uma associação da cidade e ao CC não lhe parece digno de registo? Podemos disto concluir uma de duas coisas:

  • o CC não tinha essa informação e portanto os seus editores não a podiam publicar. Seria incompetência do CC? Tendo em vista a forte presença de jornalistas no acto eleitoral esta hipótese era manifestação de uma grande incompetência. Recordo a este propósito o artigo do articulista Romão Vieira a respeito dos candidatos a Presidente de Câmara em que se queixa de não ter podido contactar os responsáveis do PS. Pergunto-me se neste caso não deveria (O CC claro está) ter sido igualmente diligente, isto é, deveria ter contactado o Presidente da Câmara e pedir-lhe um comentário à derrota de um seu Vereador nas eleições para uma associação importante da Covilhã? Certamente que Carlos Pinto estará a pensar qual a razão para se andarem a meter nisto? Um dia falaremos disso, e da leitura óbvia que se faz.

  • Segunda hipótese o CC tinha essa informação e não a quis veicular. Bem isto é um pouco mais grave que a hipótese anterior. Isto demonstraria que o CC, seja a que nível organizacional for, é de facto um actor na cena política com interesses que defende, e não apenas um espectador da mesma. Recordando a notícia a respeito de Mário Crespo que ouviu dizer alguém que ouviu dizer num restaurante.... pergunto eu onde anda o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas? Como dizia o Henrique aos três anos: 'Num ta cá'!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Liberdade de imprensa!

Por princípio entendo que qualquer Estado democrático, que honra o sistema político sobre o qual está fundado, deve defender acerrimamente a liberdade de imprensa. Olho para a classe jornalística de uma maneira geral com um profundo respeito, entendo o seu trabalho como uma missão… Olho para esses homens e mulheres como defensores desse prezado pilar chamado liberdade. Fico triste quando vejo o interesse de poucos ou de um indivíduo sobrepor-se ao bem comum, quando, por manigâncias várias, o interesse jornalístico fica subjugado ao interesse económico…perdemos todos!


É indubitável que no nosso tempo a informação, é poder! E quem veicula essa informação para os vários meios exerce esse poder. Ora também sabemos que com um grande poder vem uma grande responsabilidade. A responsabilidade de averiguar a veracidade dos factos, de confirma-los, de possibilitar aos envolvidos ou aos visados dar a sua versão dos acontecimentos…

É por isso que não posso deixar de comentar este último episódio rocambolesco que veio hoje para a praça pública envolvendo o jornalista Mário Crespo e vários elementos da governação. Não pretendo por em causa a legitimidade da notícia, das fontes utilizadas ou da forma como esse registo foi recolhido, aquilo que coloco em causa é se existe matéria de facto para uma Noticia. Quantos de nós em conversas entre amigos, colegas de trabalho ou simples conhecidos não tivemos desabafos mais ou menos agradáveis sobre este ou sobre aquele, sobre o chefe, sobre aquele funcionário, sobre aquele agente da autoridade, inclusivamente sobre o Primeiro-ministro. Imaginemos essas palavras ouvidas pela mesa ao lado e tiradas eventualmente fora do contexto! Pois é, das palavras aos actos ainda vai uma grande diferença.

É necessário conviver com a crítica, quer a publica quer a velada… porque qualquer uma das duas existe. No artigo de opinião publicado no site do Instituto Francisco Sá Carneiro apenas condeno o processo de intenções que se segue ao relato do episódio, uma vez que todos os casos relatados não são sustentados em qualquer prova factual de que haja tentativas conspirativas de silenciar a comunicação social.

Por último, enaltecer a atitude responsável do Director do Jornal Noticias

sábado, 30 de janeiro de 2010

Injustiças da crise

Ontem de manhã, seguia para o trabalho, quando fui sobressaltado com uma notícia. O nosso ministro das finanças, Teixeira dos Santos, vinculava aos jornalistas que Portugal não precisava de mais estradas e que muito dificilmente alguma estrada seria construída nesta legislatura. Nesse mesmo dia, á noite, o mesmo anúncio na televisão.


Apesar de compreender que em tempos de crise devemos cortar naquilo que é ou possamos considerar supérfluo, dando primazia à saúde, à educação, ao restabelecimento da economia e acima de tudo ao combate do desemprego. Existem projectos rodoviários, no âmbito da nossa região, que são potenciadores de investimento, de postos de trabalho e acima de tudo…uma questão de justiça para com outras zonas do nosso país mais bem apetrechadas de redes viárias. Estou-me a referir ao IC31 e ao IC6, o primeiro liga Espanha á região da Beira Baixa e ao resto da nossa rede viária através da A23 e o segundo liga a Cova da Beira a Coimbra pela Serra da Estrela, reduzindo o tempo de viagem em aproximadamente, uma hora e meia.

Entendo que nestas coisas dos cortes da despesa, não se possa cortar a direito…é necessário verificar caso a caso, ponderar cada projecto, as mais-valias que possa produzir contrapondo com o investimento a realizar. Caso contrário corremos o risco de essas decisões, tomadas a direito, poderem levar a injustiças e provocar danos irreparáveis a regiões que já se encontram numa situação extremamente difícil.

O Inicio!

Depois de algum sufoco profissional nestas ultimas semanas, com o arranque do novo ano. Começo finalmente a ter tempo. Especialmente para fazer a minha estreia neste Blog que tenho o prazer de partilhar com um Amigo e camarada.


Devo confessar que apesar de acompanhar com regularidade alguns blogues da nossa praça e de ter já feito algumas tentativas, a génese e a ideia por detrás do “24 de Abril – Antecâmara de uma revolução” me seduziu logo a primeira.

Neste momento entendo que existe uma obrigação quase moral de opinarmos e contribuirmos para uma discussão alargada dos temas da actualidade com pontos de vista diferentes, não melhores ou piores, apenas diferentes. Existe claramente a necessidade de denunciarmos aquilo que no nosso dia-a-dia nos incomoda, que está mal explicado, com o qual não concordamos enaltecendo no entanto os bons exemplos. A nossa geração (pós-25 de Abril) necessita de tomar as rédeas do seu destino, precisamos de mudar mentalidades e formas de ver a sociedade, é necessário caminharmos paulatinamente para uma sociedade mais justa, mais interventiva, mais correcta acabando com os compadrios, o nacional porreirismo e com a corrupção endémica que prolifera no nosso País…como se vislumbra todos os dias nos jornais e noticiários televisivos.

Irei (com a maior regularidade possível) tentar suscitar a discussão em torno de temas da actualidade, locais, nacionais e internacionais assim como partilhar visões e opiniões sobre os mais diversos assuntos, esperando humildemente contribuir para uma revolução, não uma revolução armada…longe disso, mas sim uma revolução de mentalidades.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Afinal há gente bem paga

O início desta semana foi marcada por uma notícia escandalosa: nove funcionários da TAP terão que fazer um curso sobre ética e relações laborais porque discutiram publicamente assuntos do foro interno da empresa. Logo os sindicatos vieram defender os funcionários, atente-se bem: defender os funcionários. Porque não defendem a empresa (Pública), nem tampouco os clientes da TAP. Defendem os funcionários! Mas também é essa a função dos sindicatos dir-me-ão os prezados amigos. De facto é verdade. Mas é uma verdade redutora, como tantas outras. Se não vejamos: os sindicatos têm o dever de defender os trabalhadores, os proletários (numa linguagem mais... sindical) mas têm também que perceber que a defesa das obrigações dos trabalhadores é também importante. O trabalho tem regras e os trabalhadores devem saber cumpri-las, tal como a entidade patronal e cada um de nós nas mais diversas situações. Por outro lado a verdade é a verdade.

Pensar em fazer uma greve porque a TAP decidiu fazer uma formação sobre matérias importantes para a função que cada um dos colaboradores (uma linguagem mais capitalista e falsa) desempenha. E a reserva de assuntos profissionais que podem prejudicar a imagem do empregador, que não colida com os interesses dos outros, nomeadamente com o público é certamente umas dessas matérias. Segundo o sindicato isto é uma penalização ilegal por não ter havido processo disciplinar. A TAP receosa dos sindicatos, veio logo alargar a formação a todos os funcionários de vôo para tirar essas dúvidas. Para mim, penalização era o despedimento, a eventual indemnização da empresa, ou outra penalização de facto. Fazer uma formação é uma forma de evitar tal penalização, a meu ver.

O mais bizarro de tudo isto deve-se a uma informação divulgada pelo sindicato, e com a habitual precisão que todos lhes reconhecemos: a de que a dita formação aos nove proletários tinha um custo de 50.000 Eur, dos quais 35.000 era o custo imputado a ter os nove trabalhadores parados uma semana. Esta preocupação tão legítima e genuína do sindicato, revelando-se preocupado com os custos da empresa revelou, fazendo fé na "habitual precisão dos sindicatos", que nove trabalhadores de bordo da TAP custam numa semana 35.000 Eur à empresa. Fazendo umas pequenas contas rápidas diríamos que os nove proletários custam mais de 140.000 Eur por mês. Supondo que está incluída a TSU o vencimento seria de 110.000 Eur para nove proletários. Isto é o salário médio de cada um deles seria de 12.000 Eur. Apraz-me fazer dois comentários: percebo a razão do prejuízo da TAP, viva o proletariado! Por outro lado, podemos apenas assumir que os sindicatos em geral mentem!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Deriva ou jeito?

Assisti hoje a uma afirmação deveras improvável. O Deputado Jorge Machado do PCP insurge-se contra o CDS-PP por este levar ao debate o tema do desemprego. Porque segundo ele o CDS está a negociar com o PS o próximo orçamento. A linha ideológica do PCP terá tido uma súbita deriva direitista ou serei eu apenas que terei interpretado das palavras do Sr. Deputado que o que separa o PCP do CDS é apenas a proximidade ao PS? Talvez seja mais simples: o CDS faz até um favor ao PCP ao BE e a si próprio, pois num cenário de queda do Governo, inevitável caso o OE não seja aprovado certamente que estes partidos não manterão os alargados grupos parlamentares que possuem... Assim se compreende esta proximidade: é um sinal de gratidão!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Assim começo

Neste meu primeiro post irei, como se impõe, expor as motivações que me levaram a fazer este blogue Ele surge de um repto que me foi lançado por um camarada meu, mas também de uma necessidade de partilha, com os meus amigos das coisas que julgo importante serem discutidas. É relevante também que o faça conjuntamente com um camarada que me dá o privilégio da sua amizade.

A vida, ou o que chamamos de vida, leva-nos a uma azáfama constante que nos impossibilita, muitas das vezes, estarmos presencialmente com os que nos são próximos e até importantes. Raramente discutimos a actualidade ou as opções que se nos deparam no dia a dia ou mesmo até que se nos deparam colectivamente. Pretendo assim que neste blogue, possa partilhar, discutir, especular sobre estas questões, políticas e cívicas que se nos impõem por consciência. Mas não pode ser apenas isto, irei também partilhar convosco algumas outras questões, como sejam a literatura, alguma música (de que sou um profundo desconhecedor), e algumas reflexões mais ou menos pessoais, tentando não cair numa desnecessária exposição pública.

Tenho a convicção de pertencer a uma geração que em tempos foi contestatária, que lutou por reformas na educação, mas que com o tempo e a aculturação, foi caindo numa certa hipocrisia. Vivemos para nós próprios, aferindo-nos em termos de sucesso que pouco nos devem orgulhar. Estamos acomodados! Temos por contraponto a geração dos nossos pais que tiveram o privilégio de poder viver, participar e lutar por um desígnio nacional e geracional que foi o da liberdade. Essa geração, em grande parte, está desiludida, mas já não tem a força ou a vontade de lutar por um mundo novo, por uma nova sociedade. Quanto a nós, que tivemos, quando muito, fugazes lutas estudantis, vivemos numa apatia inaceitável. Digo inaceitável porque sendo uma geração instruída na beleza da luta por um mundo melhor, estando melhor preparados para lutar por via da geral melhor formação que temos, nos deixamos andar. Aceitamos como natural fenómenos endémicos de corrupção de uma classe política, achamos que a honra, a honestidade deixaram de ser elementos de valor e que definem uma pessoa, valorizamos este símbolo nacional do desenrascanço, muitas das vezes à custa do bem estar dos outros, da generalidade dos outros. Não estranho por isso uma certa desilusão da geração dos nosso pais. Digo desilusão, mas por vezes parece quase saudosismo, mas penso que se trata de um saudosismo de si próprios, de quem foram e da força que teriam agora para lutar por aquilo que nós nos recusamos a fazer.

Mas, como sempre, haverá uma saída. Penso que a seu tempo os valores da honra, da honestidade, da liberdade, da ética voltarão a prevalecer. A moda, e os media deixarão de vender imagem e passarão a vender verdade, penso que nós estaremos preparados. No entanto, cada um de nós pode e deve dar o seu contributo: não nos devemos deixar levar pelos media, mas devemos antes de mais procurar por nós próprios esclarecermo-nos para que possamos formar uma opinião informada. Mais livros e menos jornais!

Concluo agora deixando uma sugestão de leitura que caricaturiza muito bem este estado de apatia da nossa sociedade:
Título: 1984
Autor: George Orwell